A interdição do futuro: o sequestro do debate público brasileiro pelo consórcio jurídico-midiático.
| Por: Pedro Doin | À medida que o Brasil se aproxima da eleição presidencial de 04 de outubro, consolida-se uma operação política e ideológica de grandes proporções. Em vez de um debate programático soberano sobre os rumos do país, a cena pública encontra-se sitiada por uma ruidosa cortina de fumaça. A conversão do pleito em um interminável folhetim centrado no escândalo do Banco Master e nas tensões no Supremo Tribunal Federal (STF) não constitui um fenômeno jornalístico isolado ou casual: integra uma engrenagem jurídico-midiática que, sob o pretexto da informação, desloca o centro da disputa eleitoral e reedita a lógica do lawfare, agora mobilizada para atingir o campo progressista, blindar interesses políticos e econômicos e frear o favoritismo demonstrado por Lula. Essa disputa jurídico-midiática atua como um mecanismo de interdição. Ao transformar a política em escândalo permanente, desloca-se deliberadamente o olhar do eleitor para uma sucessão interminável de episód...